A bomba-relógio de Roberta Luchsinger
André Marsiglia - 31/08/2026 09h23
Roberta Luchsinger Foto: Reprodução/Instagram (@roberta.luchsinger)Em março deste ano, a coluna Radar, de Robson Bonin, na revista Veja, publicou um bastidor importante: um emissário de Roberta teria levado a auxiliares de Lula o recado de que ela exigia proteção e avisava que não “cairia sozinha”, se fosse abandonada.
Na sabatina do Jornal Nacional, na última quinta-feira (27), Lula fez exatamente o que o aviso recomendava que não fizesse e negou conhecer Roberta três vezes.
No dia seguinte, a imprensa em peso expôs diversas fotografias em que ela aparecia ao lado de Lula, além de lembrar que ela participou de jantares com o presidente, foi candidata pelo PT e até mesmo tentou doar dinheiro a Lula, em 2017.
Lula reservou tratamento amigável a todos os personagens do escândalo. Manifestou confiança na inocência de Lulinha e de Marcola, seu ex-chefe de gabinete. No entanto, a sócia de seu filho recebeu como recompensa ser chamada de pilantra, ao vivo, na Globo.
Segundo relatos publicados depois da entrevista, ela teria ficado possessa e aliados do presidente correram para tentar evitar que concedesse entrevistas. Roberta teria muito a dizer. Até mesmo sobre Lula.
Em um dos episódios relatados nas investigações, Roberta afirmou que Lulinha conseguira uma reunião do governador do Maranhão no Planalto. Um mês depois, Lula despejou R$ 59 bilhões em investimentos no Estado. Alguém, além do estado do Maranhão, teria ganhado com isso?
Essas são perguntas potencialmente comprometedoras que Roberta poderia esclarecer.
Lula se encontra preso a um dilema criado por ele mesmo. Se abandonar Roberta, pode empurrá-la a revelar o que sabe sobre tudo e todos, eventualmente, até sobre o presidente. Se tentar aproximar-se dela, enfrentará sua desconfiança e agirá sob os holofotes da imprensa, que aguarda o próximo movimento do tabuleiro. Depois de afirmar que nunca a viu e chamá-la de pilantra, qualquer movimento de conciliação será notado.
Lula pode abandonar a bomba e correr o risco de vê-la explodir. Ou tentar desarmá-la diante das câmeras. Para o presidente, já não existe saída segura. Só resta escolher de que maneira Roberta Luchsinger poderá causar mais estragos a ele e à sua campanha.
* Texto originalmente publicado no Poder360.
André Marsiglia é advogado, professor de Direito Constitucional e especialista em liberdade de expressão.
* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News. Comunicar erro Comunicar erroSe você encontrou erro neste texto, por favor preencha os campos abaixo. Sua mensagem e o link da página serão enviados automaticamente à redação do Pleno.News, que checará a informação.
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